08/12/2014
Por que repetimos sempre os mesmos padrões em nossos relacionamentos afetivos ?

Esta é uma pergunta difícil de responder pois, para entendermos os nossos padrões de comportamentos e sentimentos, temos que rever toda a nossa história pessoal : os momentos de ruptura , perda , de alegria e aqueles momentos únicos , que aos olhos dos outros não tem absolutamente nada de anormal mas que para nós se reveste de importância, marcando a nossa vida. Quando as coisas “travam” e já não agüentamos mais repetir os mesmos movimentos, a psicoterapia pode auxiliar bastante nestes questionamentos, nos ajudando a ter um outro olhar sobre o problema e a entendê-lo a partir do seu significado pessoal para nós.

John Bowlby, em seus estudos sobre o apego, mostrou a importância da relação da mãe com o bebê, não só na regulação instintiva e biológica do indivíduo como também na sua participação nos chamados modelos internos de trabalho. E o que seriam estes modelos ? Em nossas relações com as figuras cuidadoras e com o mundo à nossa volta, vamos formando determinados padrões de apreensão da realidade. O ser humano, desde pequeno, busca consistência em suas emoções e pensamentos. Assim, vamos formando esquemas de como percebemos o mundo à nossa volta. Podemos desenvolver estruturas mentais, ligadas por exemplo, ao Abandono. Digamos que a criança se sente abandonada pela mãe, ou que percebe que não é prontamente atendida pela mesma. Este esquema de abandono traz uma carga muito negativa para a criança, que pode então buscar se isolar afetivamente (pois passa a acreditar que as figuras de que gosta não poderão lhe dar atenção) ou então se apega excessivamente a qualquer pessoa, com medo de perder o contato afetivo ou de ser rejeitada. O significado e a forma que cada pessoa vai dar a sua história é única e, desta maneira, nosso comportamento e a maneira de se expressar afetivamente está muito ligada às experiências infantis.

Em boa parte das vezes, o que percebemos na experiência terapêutica, é que acabamos por repetir esses padrões. Na verdade, eles fazem parte da maneira que aprendemos a estar no mundo e até mesmo da nossa identidade. Uma mulher que não se sentiu amada pelos pais, pode ser uma pessoa excessivamente ciumenta ou possessiva, em relação ao seu parceiro pois acaba vendo nele a oportunidade de preencher esta lacuna em sua vida afetiva. Dessa forma, a relação afetiva fica marcada, não em função de um encontro genuíno entre duas pessoas e sim de uma busca neurótica pela solução deste conflito interno.Quando conseguimos dentro do processo terapêutico, observar a complexa relação entre o presente, o passado e o futuro , podemos nos preparar finalmente para mudar o que nos incomoda e lutar por aquilo que acreditamos que irá nos fazer felizes de verdade.


Por: Marco Aurélio Mendes

 

A Neuropsicologia é o estudo da relação entre as áreas cerebrais
e o sistema nervoso, com o comportamento humano. A Avaliação Neurosicológica é realizada...

A Reabilitação Cognitiva é o processo que visa a estimulação cognitiva podendo auxiliar na recuperação, na melhora da performace e na diminuição do ritmo...

Conheça nossos profissionais que são psicólogos credenciados no CRP, com formação e especialização em suas abordagens de atendimento. Estamos preparados para atender você.

Nesta seção separamos os melhores artigos da área de Abordagens em Psicoterapia. Textos e materiais preparados por nossos profissionais qualificados.