08/12/2014
A Adolescência e seus Conflitos

Adolescência, uma etapa do desenvolvimento humano, fundamental no amadurecimento individual e coletivo em nossa cultura. Na modernidade a criança passa do espaço público para a educação familiar. Assim, perde a liberdade anterior de movimentação livre na sociedade, deixando de participar intimamente das questões adultas. Inaugura-se um novo período em que a criança é separada do universo adulto e seu direcionamento social passa a ser de responsabilidade e domínio da família. Neste contexto emerge um tempo, como um hiato, que surge como uma passagem para a vida adulta, a denominada adolescência.

Como um rito de passagem o jovem vê-se em transição, imerso em lutos, descobertas e muitas rupturas. Ocorre a inevitável perda do corpo infantil, que agora cresce e aponta para um novo movimento interno e externo. Suas cobranças introjetadas e reforçadas pelo meio exigem um comportamento adulto ainda não adaptado à sua realidade dependente e imatura. Esses referenciais da infância vão se perdendo, sendo deixados no passado. Inicia-se uma luta interna para preservar os ganhos deste lugar seguro da infância. Ao mesmo tempo, mantém o contato com o novo, este desconhecido que está se instalando e configurando o futuro. Todo este processo pode causar angústia e medo, chegando a apresentar em alguns casos paralisação parcial ou total no crescimento.
Para crescer precisa romper valores e diferenciar-se das figuras de referência, como possibilidade de incorporação no mundo que se apresenta à sua frente. O grupo passa a ser um lugar que auxilia na construção desta nova identidade, permitindo vínculos mais profundos de amizade e cumplicidade. O adolescente canaliza o ganho afetivo destes novos contatos e descobertas, que será direcionado como energia para os caminhos de sua escolha. Os pais neste momento vão sendo internalizados junto com os conceitos por eles ensinados, como leis que organizam este novo espaço de vida.Tudo parece muito grandioso à sua frente, cada passo mostra-se como um caminho sem volta: o desejo de independência, a carreira que irá seguir, as alterações hormonais associadas à descoberta do sexo - no seu próprio corpo e no outro - e a opção mais clara de seu objeto de desejo. Enfim, reconhecer que tudo faz parte de um processo maior muitas vezes torna-se impossível. A turbulência interna experimentada nesta fronteira gera um amadurecimento que termina por trazer a sensação de um maior comprometimento diante das decisões. A angústia deste período de mudanças abre em seu ser um canal de saída. A perda da onipotência infantil propicia o surgimento de paixões e de uma nova forma de vinculação ao outro. Isso significa entrega e rendição, como sinônimos da perda de controle e a descoberta de novas fontes de prazer.

Nesta dança, o adolescente oscila entre os medos de perder os ganhos infantis e as vantagens do mundo adulto. Como nos afirma a teoria freudiana, o desenvolvimento da sexualidade ocorre em duas ondas. A primeira onda percorre a fase oral, a anal e fálica. No período de latência ocorre um declínio da energia, desviando-se para as relações sociais e intelectuais. Neste momento, o superego e suas leis são fortalecidos, confirmando a construção da ética a seguir. A adolescência será marcada pela vivência de um segundo momento em que a energia será reinvestida.

Neste novo período, todas as fases infantis do desenvolvimento sexual, pré-organizadas e vividas separadamente, serão reeditadas, permitindo a organização mais ampla da energia deste corpo e de seu aparelho psíquico. Como um amálgama, este organismo passa a funcionar em uma possível unicidade. A importância deste momento está na chance de ressignificar experiências anteriores. Esse novo caminho, estruturado a partir do passado, constrói o jovem para a vida adulta. A exposição diante do desejo de experimentar o novo apresenta inúmeros riscos, como a sedução das drogas, ou do sexo sem cuidados. O desamparo diante das rupturas pode gerar a aspiração de reencontrar o objeto único que satisfaça a todas suas demandas, como por exemplo, a promessa oferecida pelas drogas. Este retorno em busca do “objeto perdido” pode ser comparado à recriação da oralidade, um dia fantasiosamente suprida pela figura materna.

Neste universo de revivescências e conquistas, em muitos momentos o adolescente demonstra um comportamento introspectivo e até mesmo isolado, como conquista de um espaço para elaboração. Este novo sujeito não tem controle sobre as mudanças biológicas, sociais e psíquicas que está vivendo. Apesar de compreender que não é mais uma criança, não se sente maduro o suficiente para enfrentar uma adultez. Como nos mostra Nobel e Aberastury, várias das manifestações observadas no adolescente atual são perfeitamente normais e sadias. O que vai determinar o estado patológico será a intensidade que esses comportamentos apresentam. A depressão, a tristeza, a mudança de humor, um certo saudosismo, a necessidade de confronto, entre outros, são reações emocionais esperadas e participantes do crescimento de todo sujeito. Quanto maior a permissão do meio para que este jovem possa viver as frustrações e os prazeres, dando-lhe limites e segurança, mais capaz ele será de transpor os obstáculos e transmutar-se de criança para um adulto maduro.


Por: Georgina Martins

 

A Neuropsicologia é o estudo da relação entre as áreas cerebrais
e o sistema nervoso, com o comportamento humano. A Avaliação Neurosicológica é realizada...

A Reabilitação Cognitiva é o processo que visa a estimulação cognitiva podendo auxiliar na recuperação, na melhora da performace e na diminuição do ritmo...

Conheça nossos profissionais que são psicólogos credenciados no CRP, com formação e especialização em suas abordagens de atendimento. Estamos preparados para atender você.

Nesta seção separamos os melhores artigos da área de Abordagens em Psicoterapia. Textos e materiais preparados por nossos profissionais qualificados.