08/12/2014
As Vibrações Cíclicas da Vida

Na tentativa de compreender o desenvolvimento energético humano, a filosofia chinesa busca uma congruência entre o movimento natural do universo e o organismo do homem. A vibração mencionada pela Terapia Bioenergética, pode ser encontrada nesta abordagem milenar, quando menciona a necessidade de uma passagem dinâmica e consciente, por cada período de nossa vida, para que se estabeleça um corpo vital.

O pensamento oriental aponta para uma constituição orgânica estruturada a partir de ciclos de energia, que se encontram interligados às diferentes fases da natureza. A correspondência entre o corpo e a mente torna-se inevitável se pensarmos que essa bioenergia forma o homem em sua totalidade. Os aspectos biológicos, somados às experiências externas, marcam e transformam o corpo físico e psíquico. Desta maneira, podemos inferir que esta constituição energética aponta para a formação dos traços da personalidade e seus encouraçamentos.

Segundo a teoria milenar chinesa existe uma instância que foi denominada como a junção dos três grandes tesouros: o Shen, que corresponde à essência psíquica, da consciência e do espírito. Trata-se de uma energia visceral que é metabolizada no corpo, mas que se faz concreta a partir da tomada de consciência dos órgãos. Esta energia está presente em cada órgão, que comporta um sentimento correspondente, e esta emoção funciona como um elo que contata o indivíduo com sua essência e com o mundo externo. O Qi é a energia que povoa o mundo. Carrega aspectos instintivos e pré-reflexivos, ou seja, anterior à comunicação verbal do sujeito. Sua circulação está presente no território somático, mas uma parte desta energia transforma-se em Shen, emoção. Portanto, o Qi configura-se como a ligação direta e inevitável entre o corpo e os processos psíquicos. O Jing corresponde à carga herdada no ato da concepção. Carrega em si o conteúdo emocional e genético pertencente aos ancestrais. Não é considerado como uma energia, mas a potência que está relacionada à essência primordial que se expressa pelo Qi. A não consciência desta formação pode levar o sujeito a uma fusão entre sua individualidade e a emoção que lhe foi incorporada.

Para a filosofia chinesa, a respiração funda a existência humana em sua concretude, pois quando nascemos o primeiro movimento de vida fora do útero será de inspiração. Quando morremos, a expiração sela o último contato do corpo com o mundo. Desta forma, o processo respiratório acompanha o sujeito em cada momento de sua vida, como um contato entre o seu mundo interior e exterior. Logo, nascemos e morremos ao respirarmos, possibilitando uma renovação vital em nosso organismo.Cada etapa da vida do indivíduo corresponde a um movimento cíclico do universo. O nascimento se faz pela madeira, que está representada pelo fígado e tem como função a ocupação do espaço externo coordenando a agressividade criativa. Representa a ação explosiva pré-reflexiva e instintual. O ser humano inaugura a vida com uma explosão energética de movimento, sem determinar ao certo a direção ou finalidade. Trata-se da criação, no sentido puro e ingênuo da existência.

A infância é marcada pela energia do Fogo, simbolizado pelo coração. Neste órgão também habita paralelamente a energia do cérebro que representa a consciência total. No entanto, não apresenta o domínio e a maturidade da energia psíquica (Shen). Essa passagem da madeira que gera o fogo marca o desenvolvimento e crescimento do indivíduo, formando a base que estruturará toda sua vida psíquica. As experiências infantis tornam-se primordiais para a formação energética das etapas futuras. Neste período, a presença do outro (mãe ou outra figura correspondente) se confundirá com a criança que ainda não reconhece o seu “eu”. A seguir passa-se para a constituição da terra que representa a adolescência, que corresponde ao período em que o sujeito começa a estruturar o seu chão, libertando-se de conceitos preestabelecidos. Nesta etapa, o sujeito firma uma relação ainda de dependência com o objeto, mas já reconhece o “não eu”. Esta experiência marca no sujeito a mutação e transformação de seu vínculo com o outro. Inicia-se uma necessidade de satisfação que ultrapassa as figuras parentais, vinculando o indivíduo ao mundo das idéias, ou seja, o objeto deixa de ser concreto e passa para o não visível, o pensamento. Com isso o sujeito, estabelece uma relação para fora do seu ciclo familiar, criando elos de relacionamentos diferenciados.

Na etapa posterior vivencia-se a energia do metal, que simboliza a fase da recepção e do luto. O sujeito se aproximando da maturidade reconhece que, sucedendo a inspiração, na qual recebe algo novo, experimenta uma sensação de morte concretizada na expiração. Desta forma, cada respiração completa implica um certo luto. Isso leva a uma compreensão de que a morte é a possibilidade de transpor o mundo e construir uma nova realidade interna e externa. Reprimir e não viver a perda, e o decorrente luto, leva o sujeito a se privar da possibilidade de crescimento interno. Por outro lado, ao prolongar esse luto, o sujeito transforma a renovação em mágoa, não se desfazendo de fantasmas passados, ocupando todos os espaços que possibilitariam uma construção inovadora.Vivencia-se na água a fase derradeira, marcada pela degeneração do corpo físico. Todavia, a água guarda o mundo que experimentamos antes de começarmos a viver, ou seja, a carga hereditária de nossa constituição bioenergética. Trata-se da energia de sustentação da vida. Quando nascemos, experimentamos o primeiro rompimento, o contato com a água. Assim, guardamos em nosso corpo essas impressões em forma de energia essencial (Jing). A consciência deste processo encontra-se nos rins, que conduz o movimento da água. O representante psíquico deste elemento será a força de vontade, a coragem com precaução, pois neste pensamento medo e coragem não estão separados. A principal função dos rins é promover no sujeito a consciência de que, por mais radicais que sejam as mudanças, não morreremos. Considerando que o indivíduo passou pelo momento implacável de rompimento com a água, em que ocorre a introdução no mundo, quando “secam os oceanos”, o ser que nasce inicia a sua história, portanto não existe um fim. Os rins enfatizam que na dissolução da forma física a energia irá perpetuar-se em novas formações de vida, se reapresentando em forma de essência, energia hereditária.


Por: Georgina Martins

 

A Neuropsicologia é o estudo da relação entre as áreas cerebrais
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