08/12/2014
Quem precisa de análise hoje?

Até bem pouco tempo atrás, a nossa cultura era de repressão, impossibilidades, angústia de desejar e não poder: tudo era proibido. Hoje, vivemos a angústia da escolha diante de tantas possibilidades. O que é melhor para mim nesta ou naquela situação? Podemos realmente dizer “Sim” e “Não” diante das oportunidades e, principalmente, “bancar” internamente esta escolha? Como colocar limites entre o Eu e o Outro? Quando digo “Sim” e quero dizer “Não” ou digo “Não” querendo dizer “Sim”? Tornamo-nos sujeitos cada vez mais impossibilitados de dizer “Não” frente às situações do cotidiano e, com isso, ficamos também debilitados para dizer “Eu Existo” diante de nossa própria vida.

Cada vez mais, há pressa na vida das pessoas e, com a correria do dia a dia, elas não se dão conta de si mesmas, de seu corpo, sua vitalidade, sua respiração e, principalmente, da importância de sua saúde emocional e sua história biográfica no momento presente. Quanto mais ampla nossa respiração, melhor sentimos nossas emoções e, consequentemente, mais presentes nós ficamos. A Psicoterapia Corporal, que é uma linha clínica analítica, entre diversas existentes, é um processo que não está na perspectiva da felicidade a qualquer preço, mas sim no caminho da vitalidade. Estar vivo é poder sentir, conhecer e apropriar-se das suas emoções (tristeza, medo, alegria, raiva), visto que, se biologicamente não posso sentir a dor de uma tristeza, também estou limitado de sentir o prazer.

Muitos adultos acreditam que a vida intrauterina, a infância, a adolescência, a juventude, enfim, o passado já passou, e o que importa agora é o presente. De certa forma, não estão totalmente errados. Precisamos, contudo, saber que cada ser humano carrega consigo uma história, impressa no corpo. Nossas vivências infantis estão presentes na vida adulta, mesmo se não temos consciência e contato com elas. As saídas que encontramos no processo de desenvolvimento não estão desconectadas do que somos hoje e das nossas possibilidades de ação, das formas de pensar, dos valores, do como e do quanto experimentamos o prazer. A lente pela qual enxergamos a nossa vida e o mundo e, principalmente, do como fazemos ou não nossas escolhas também estão vinculadas a essas vivencias infantis. Ao longo da nossa vida construímos tanto possibilidades quanto mecanismos de defesa, na sua maioria, inconscientes. Parafraseando Rubem Alves, “afirmo que existe uma criança abandonada dentro de mim pela qual me enterneço e hoje, como adulto que sou, preciso aprender a cuidar dela.”

Escutamos muitas pessoas perguntarem: Para que fazer análise hoje? Terapia é coisa para “maluco”? Quem precisa de terapia, de analise, é um fraco pois não consegue resolver seus problemas sozinho? Existe idade para se iniciar um processo terapêutico? Poderia escrever diversas frases, afirmações e perguntas que escuto em ambientes sociais e no consultório. De fato, não existe idade para reparação e evolução afetiva. Existe uma grande fortaleza em conhecer nossas fragilidades, como alguns poetas dizem, lugares dentro nós que não podemos conhecer sozinhos.

Afinal, que função mesmo tem a Análise? A Análise Bioenergética é baseado no trabalho de Wilhelm Reich que era discípulo de Freud, o qual foi professor e analista de Alexander Lowen, fundador desta técnica. Esta técnica traz o estudo da personalidade humana em termos dos processos energéticos do corpo. A Análise Bioenergética tem a oferecer alguns caminhos para os tempos atuais: . A possibilidade para que as pessoas entrem em contato com o corpo e compreendam como a dinâmica da vida pessoal, das relações familiares e das vivências do passado influenciam seu funcionamento no presente. . A busca em promover Saúde Integral, através da ampliação da respiração, dos exercícios bioenergéticos, da vibração corporal e do aumento da energia vital. . Resgatar a liberdade, graciosidade e beleza que são atributos naturais de qualquer organismo: a liberdade como ausência de qualquer restrição ao fluxo de sentimentos e sensações; a graciosidade como a expressão deste fluir em movimentos e a beleza como a manifestação da harmonia interior que tal fluir provoca. . A ajudar às pessoas para desenvolver autopercepção, auto-expressão e autodomínio através da superação de traumas, conflitos e bloqueios originados no decorrer do processo de desenvolvimento.

Para finalizar é importante sabermos que existem diversas linhas clínicas corporais ou não corporais, analíticas ou não analíticas que se dedicam ao trabalho de reparação e evolução afetiva e pessoal. A clínica corporal possui uma especificidade que vai além do trabalho através da fala, no campo relacional e transferencial, com uma intervenção sobre o corpo. Todos nós estamos sensíveis às forças energéticas que nos rodeiam, mas seu impacto é diferente para cada um de nós. Então, que função mesmo tem a análise? É um veículo, uma ferramenta, um instrumento, um processo facilitador para alcançarmos essa plenitude de viver. Viver por inteiro. Viver de corpo, alma e inteireza de sensações e sentimentos numa sociedade complexa, dinâmica e muitas vezes, infelizmente, estimuladora da barbárie. Quanto mais vivo estiver seu corpo, mas inteiro você poderá estar no mundo. E, afinal, quem precisa de análise hoje? Todos os interessados em desfrutar dessa forma mais plena de viver. Você está disposto?


Por: Fernando Nóbrega

 

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