08/12/2014
Estresse e Trabalho

Convido você a responder estas poucas perguntas:


Já pensou constantemente em um só assunto, vontade de fugir de tudo e uma sensação de incompetência? Sentiu cansaço constante, insônia e sensação de desgaste físico? Você já se sentiu irritado no trabalho, por vezes sem causa aparente?


Se você respondeu sim a alguma destas situações, fique calmo (a), infelizmente você e milhões de pessoas passaram ou passam por situações como estas. Concebido habitualmente como algo negativo, o estresse também pode ser um fenômeno positivo que potencia a ativação do indivíduo. Certo nível de estresse nos impulsiona para a ação e não poderíamos viver na ausência total dele, porém, o que percebemos atualmente são situações em que o estresse ultrapassa seus limites e esgota as possibilidades da pessoa se adaptar, ocorre uma redução da energia mental do organismo, a produtividade e capacidade ficam prejudicadas e a qualidade de vida sofre danos.


Hoje, o estresse é considerado uma doença mundial e está presente em todas as áreas da nossa vida, inclusive no trabalho, o que preocupa profissionais da saúde, gestores e pessoas que procuram a qualidade de vida e o bem estar físico e mental. As mudanças sociais, econômicas e tecnológicas que a sociedade tem passado nas últimas décadas, atingem significativamente nossa vida e nossa relação com o trabalho. Ao mesmo tempo em que o trabalho é uma conquista e uma forma de se realizar e se relacionar com o mundo, pode trazer para aquele que trabalha um sentimento de desgaste.


Segundo o especialista em medicina do trabalho Christophe Dejours, o trabalho não é nunca neutro em relação á saúde, ele favorece seja a doença seja a saúde. E nesse contexto, as pessoas que trabalham ficam expostas a uma série de eventos, muitos destes estressantes. Estes eventos, causadores do estresse, são apresentados como criadores de tensão quando ultrapassam a habilidade do ser humano se adaptar ao ritmo em que ocorrem. Vale lembrar que cada pessoa reage de forma individual a determinadas situações da vida e os níveis de adaptações são diferentes, o que faz com que um evento seja vivido por uma pessoa como estressante, e para outra não. Quando falamos de ambiente de trabalho, por vezes a tarefa que é realizada, a distribuição de responsabilidades, redução de funcionários e o grau de contato com as pessoas, tornam a organização em que se trabalha uma fonte de desgaste e de adoecimento. Além disto, a necessidade de manter-se empregado numa época de instabilidade de emprego e de deterioração das relações de trabalho são fatores que contribuem para o aparecimento do estresse e afetam a saúde do trabalhador e sua relação com o trabalho. Situações geradas por fatores internos como auto exigência, cobrança, também podem gerar estresse e acarretar enormes danos às pessoas. Por isso, é fundamental compreender o estresse como um processo composto de inúmeras variáveis que envolvem fatores ambientais, psicossociais e pessoais. Identificar os eventos estressores, bem como sua intensidade, torna-se importante para o tratamento e controle do estresse, pois, situações geradoras de tensão geralmente se combinam para pressionar a pessoa de várias maneiras, até que desenvolva o estresse.


O desgaste provocado pelo estresse no trabalho pode apresentar sintomas de saúde tanto nos profissionais (tensão, pressão alta, nível de colesterol, depressão, alcoolismo, insatisfação profissional, rebaixamento da ambição, doenças coronárias e desequilíbrio da saúde mental), como também sintomas na saúde organizacional (absenteísmo elevado, dificuldades nas relações trabalhistas, alta rotatividade dos profissionais, acidentes de trabalho e desempenho insatisfatório). Esse processo de desgaste atinge não só o profissional, mas repercute também no local de trabalho e em toda a empresa. A compreensão do estresse, dos fatores estressores e de seus sintomas, torna possível a ação preventiva, fundamental na relação entre saúde e trabalho.


A Síndrome de Burnout

Embora o conceito de estresse não tenha surgido vinculado à análise do trabalho, a utilização do termo abriu campo para a escuta de sofrimentos vividos pelos profissionais em relação ao seu trabalho. Originalmente usada em 1940 para se referir ao colapso dos motores dos jatos e dos foguetes, a palavra Burnout, foi para o campo da saúde para designar a manifestação mais radical do estresse em sua fase mais aguda e de esgotamento. De origem inglesa, a palavra Burnout pode ser traduzida como "queima após desgaste". Refere-se a algo que deixou de funcionar por exaustão. Como metáfora, o termo passou a ser usado para explicar a exaustão física e emocional, em geral causada pelo estresse no trabalho, associada a uma perda de motivação e alto grau de insatisfação decorrente dessa exaustão. Também chamada de Síndrome do Esgotamento Profissional, a Síndrome de Burnout tem sido reconhecida como uma condição experimentada por profissionais que desempenham atividades em que está envolvido um alto grau de contato com outras pessoas, sendo freqüentemente mais afetados os profissionais da área de serviços humanos.
A definição mais citada para a síndrome teve a contribuição da psicóloga norte-americana Christina Maslach, pioneira nas pesquisas sobre burnout no trabalho, segundo a qual "burnout é uma síndrome de exaustão emocional, despersonalização e reduzida realização profissional que pode ocorrer entre indivíduos que trabalham com pessoas”. Assim, identifica a síndrome por três dimensões:


- Exaustão Emocional: diz respeito à redução dos recursos emocionais internos, falta ou carência de energia e sentimento de esgotamento emocional.


- Despersonalização: expressa por falta de sensibilidade e dureza ao responder às pessoas que são receptoras do seu serviço, desenvolvendo atitudes frias e insensíveis que se traduzem no tratamento impessoal e intolerante com as pessoas do contato profissional.


- Baixa Realização Profissional: evidenciada pela diminuição do sentimento de competência em relação ao trabalho com pessoas, vivenciando uma sensação de insuficiência e baixa auto-estima profissional. 
Infelizmente a Síndrome de Burnout ainda não é amplamente divulgada e muitos profissionais desconhecem suas manifestações, causas e formas de tratamento e prevenção.


Estes sintomas são reversíveis, porém não podemos deixar o estresse chegar à sua fase extrema, onde o organismo não terá mais energia, ficará incapacitado de se concentrar e trabalhar, sem vontade de fazer nada.


O importante é a prevenção e o controle do estresse. O autoconhecimento, a prática de atividades físicas, uma alimentação saudável, bem como a utilização de técnicas para redução do estresse são excelentes maneiras de manter corpo e mente saudáveis, porém, quando necessário, a ajuda de um profissional contribuirá para a conquista do equilíbrio e a superação dos seus desafios.

Sandra Cairo é psicóloga clínica e consultora organizacional.


Por: Sandra Cairo

 

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